Valores disseminados na música “popular”: da apologia ao uso de drogas à sexualização da mulher

17:10:00

O conteúdo musical é livre,a liberdade de expressão se marca no século XXI fortemente. Contudo,a música além de proporcionar diversão,alegria,também influencia processos de formação pessoal. A expressão de sentimentos,ideais e ideologias contidas em músicas,sem dúvidas participam da formação crítica do indivíduo. Porém ,o que vivemos hoje é uma insuficiência da crítica cultural atual na análise musical do brasileiro de forma geral.
Fazendo uma análise na história musical do Brasil,a nação tem muito o que oferecer. Poetas,músicos,compositores fizeram e fazem um trabalho belíssimo enriquecendo a dinâmica “músico-cultural” ,que é incrementada por misturas de diferentes ritmos e estilo. MPB,rock,samba,pagode,funk,dentre outros estilos,possuem exemplos destas expressões em sua base pura. Artistas como Tom Jobim,João Gilberto,Chico Buarque,Caetano Veloso,Jorge Ben Jor,Noel Rosa,Cartola,Cazuza,Tim Maia,Luiz Gonzaga,Arnaldo Baptista,Elis regina e Raul Seixas transmitiram (e ainda transmitem) valores para gerações.



Trecho da múscia “Ave Maria da Rua” — Raul Seixas

Ao longo do tempo, a música vem se criando e se renovando, se moldando ao contexto que está presente,representando idéias e se fazendo de papel para a escrita da expressão de valores de um povo. Apesar da produção artística continuar revelando artistas culturalmente úteis, atualmente no Brasil, a música que está a todo momento ao alcance geral dos ouvidos das massas e muitas vezes na boca do povo, instiga a muitos o questionamento sobre o conteúdo disseminado.
Apologia ao uso de drogas de maneira geral (principalmente ao consumo de bebidas alcoólicas), e explícita explanação do conteúdo sexual acompanhado do machismo estão entre os exemplos. Esta exposição da mulher como objeto sexual e desrespeito se ramificam em proporções preocupantes, que parte da objetificação em si, para a apologia ao estupro e outros muitos abusos. A parte alarmante do caso é que esses conteúdos se popularizam de uma forma incontrolável: por meio do acesso à internet,a promoção de músicas com letras abusivas se multiplicou(e ainda se multiplica) de maneira expressiva,e continua nos revelando mais problemáticas envolvidas.
Há antes de se esclarecer que,é claro que parte da população não cai totalmente no senso comum, tem acesso á informações gerais e cultiva e outros valores,mas trata-se sobre o aspecto geral. Aquela música que você ouve na rua quando passa de ônibus ou de carro; aquela música que muitas vezes é tão popular que vira trilha sonora de novelas,que se instala em muitas mentes de forma indesejada. Aquela letra repetitiva que impregna na cabeça e que todo mundo sabe a letra,mesmo que não tenha buscado por vontade própria: ela é tão popular que se instala como uma epidemia momentânea.
Vale lembrar que a regra não se resume ao funk,muitos outros estilos musicais fazem referências aos temas.São milhares de exemplos. “Lepo,lepo”, “moriçoca,soca,soca” ou até mesmo “A novinha não me quer,só porque eu vim da roça;roça, roça o piru nela que ela gosta”; “Um tapinha não dói”;“Se ajoelha, se prepara e faz um boquete bom”,esta interpretada por um garoto de 11 anos,Mc Pedrinho, a qual faz relação clara ao sexo oral. São crianças cantando e crianças ouvindo. O conteúdo dos famosos “proibidões” são famosos nas mídias,geralmente os vídeos no youtube chegam a milhões de acessos.
“Notadamente pelo conteúdo das canções que interpreta, com alto teor de erotismo, pornografia, e palavras baixo calão, incompatíveis com a condição peculiar de pessoa em desenvolvimento(…) ” diz o Ministério Público,em entrevista para o jornal O globo, após pedido da retirada do conteúdo de um dos vídeos das redes sociais.  
     Jovens e crianças se deixam levar pela onda da ostentação e sexualização, esta que de forma extremamente perigosa se engasta no cotidiano e tampouco na mentalidade dos brasileiros. O conteúdo muitas vezes machista, incentiva jovens adolescentes a “sentar” e “ir até o chão” para seduzir um homem. Até paródia de músicas clássicas que fizeram parte da infância de muitos já foram adaptadas para o sentido obsceno da coisa, como é o caso do famoso “Parara-tim-bum”, que faz alusão ao clássico Branca de Neve e os sete anões. 
         
       A mudança depende de todos, mas será uma batalha difícil, já que a maioria do criticado está no gosto “popular” e são disseminados através de radio, TV, internet, tocam nas ruas e até no ônibus. A legitimidade que é dada a estes conteúdos, gera a “normalização” do fato,é a própria exerção do poder simbólico tão discutido por Pierre Bourdieu. Mais pessoas sendo contaminadas por estes conteúdos? A formação de mais cabeças machistas,de homens que veem a mulher como um pedaço de carne para satisfação sexual. Pode soar radical. Mas radical será a realidade em nosso futuro quase imediato.

Pense sobre o que você ouve. Se questione. O debate interno sobre os fatos cotidianos atrela ao ser a realidade,e se bem feita,uma realidade desligada de alienações. Música aliena? Claro.
Isadora Fortes,11/02/15

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Sobre a escritora

Isadora Fortes, de 1999. Escrevo de tudo um pouco, gosto de compartilhar minha visão de mundo e debater sobre o descoberto. Interesses por misticismos, feminismo, gastronomia vegetariana, boas experiências. Eu me arrependo, sou sucessível à mudança de ideia e opinião, gosto de um bom debate. Prezo pelo respeito e paz. Duvidar, criticar e decidir; carpe diem, penso logo existo; vou mostrando como sou e vou sendo como posso; conhece a ti mesmo; etc. e-mail: isadora.fortes@hotmail.com

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