Análise da canção do casamento
17:20:00
“A
violência
simbólica
se
funda na fabricação contínua de crenças no processo
de
socialização,
que induzem o indivíduo
a
se posicionar no espaço social seguindo critérios e padrões do
discurso dominante. Devido a esse conhecimento do discurso dominante,
a violência simbólica é manifestação desse conhecimento através
do reconhecimento da legitimidade desse discurso dominante.”
Este é um conceito de Bourdieu, que se aplica neste século de diversas formas. Um exemplo de violência simbólica é o machismo, que se engasta na sociedade de maneira expressiva. Um exemplo claro é a música (já analisada uma vez aqui).
Este é um conceito de Bourdieu, que se aplica neste século de diversas formas. Um exemplo de violência simbólica é o machismo, que se engasta na sociedade de maneira expressiva. Um exemplo claro é a música (já analisada uma vez aqui).
Porém, nem todas as mulheres pensam na mensagem e a
consequências da música ouvida e cantada diariamente. Uma canção
tradicional na vida de toda garota é “Com quem será, com quem
será, com quem será que a mulher vai casar. Vai depender, vai
depender, vai depender se o homem vai querer”. Nesse caso, o homem
citado ou é o pai da mulher ou de fato algum homem do interesse.
Contudo, a análise sobre essa canção vai muito mais além.
Infelizmente,
ainda vivemos em uma etapa social em que a mulher recebe pressões de
todos os lados para a formação de uma família. O casamento chega
muitas vezes a ser visto como “essencial”. Contudo, essa junção
deve ser em prol da formação de uma família nuclear monogâmica
heteronormativa, e o que está fora do padrão patriarcal, é
repudiado. Como exemplo, as uniões homoafetivas legais, que passam
por longos processos para serem aceitas em diversas áreas do mundo,
e em outras, nem sequer são cogitadas.
“Com quem será que fulana vai casar?” Vai depender. Desde o início, os costumes proliferam a seguinte ideia: a que o homem deve sempre tomar a primeira iniciativa. Desde o primeiro beijo até o pedido de noivado. O que é também uma consequência de um passado histórico construído patriarcalmente, em que o homem, por dominar, possuía os poderes de escolha e decisões em suas mãos. “Vai depender se o homem vai querer”. Isso leva a mulher à dependência do querer do homem. E isso nem é novidade, já que hoje em dia é raro ver uma mulher tomar inciativa em relação a namoro, noivados, casamentos. Quantas vezes você viu uma mulher pedir o homem em noivado? É como se o a mulher tivesse que estar sempre ali,na torre, presa, intocável e sempre à espera de seu amado. Fazendo de tudo para prendê-lo com seu charme e beleza, submissa mesmo que inconscientemente.
“Com quem será que fulana vai casar?” Vai depender. Desde o início, os costumes proliferam a seguinte ideia: a que o homem deve sempre tomar a primeira iniciativa. Desde o primeiro beijo até o pedido de noivado. O que é também uma consequência de um passado histórico construído patriarcalmente, em que o homem, por dominar, possuía os poderes de escolha e decisões em suas mãos. “Vai depender se o homem vai querer”. Isso leva a mulher à dependência do querer do homem. E isso nem é novidade, já que hoje em dia é raro ver uma mulher tomar inciativa em relação a namoro, noivados, casamentos. Quantas vezes você viu uma mulher pedir o homem em noivado? É como se o a mulher tivesse que estar sempre ali,na torre, presa, intocável e sempre à espera de seu amado. Fazendo de tudo para prendê-lo com seu charme e beleza, submissa mesmo que inconscientemente.
Note
que só proponho uma ideia de liberdade que desamarre a mulher de
correntes invisíveis que a prendem. E
quando não citam o pretendente, citam quem? O pai.
O que só revela o quão atrasados estamos ao ainda sair cantando por
aí que a mulher vai casar se o pai dela quiser. Ou seja, a decisão
que cabe à mulher, aos seus sentimentos, ao seu corpo, será tomada
por quem? Pelo pai. Isso lembra certo período histórico (Não
esquecendo que isso ainda acontece nos dias de hoje, principalmente
em países orientais) em que mulheres eram usadas como “moedas de
troca”,selando união de reinos e acordos de paz, em que o
casamento consolidava uma união geográfica ou econômica.
O
fato é que a questão da canção é cantada em praticamente todos
os aniversários. E a canção também é cantada nas festas dos
rapazes. “Então, se é cantada para os dois, é só um habito e
não algo pra se “problematizar””. Errado. O contexto em que a
mulher se insere é ainda adverso ao do homem
(e a mulher é a mais afetada negativamente na maioria dos aspectos).
Costumes, mudanças ideológicas, tudo isso deve partir da analise e
quebra de pequenas atitudes que passam praticamente despercebidas no
nosso dia a dia, afinal, costumes e hábitos possuem sim sua
porcentagem opressora.
Com a normalização e repetição dessas atitudes forma-se certa alienação e os valores machistas são inseridos vagarosamente na mentalidade de todos, o que no futuro, trás pra mulheres problemas como baixa auto estima, depressão, entre outros transtornos gerados por pressões sociais e cobranças internas (o casamento perfeito). Além disto, outra consequência é o preconceito com outras formas de união (casamentos gays), ou até mesmo com mulheres solteiras, que ainda sofrem descriminações pelo fato de não quererem se casar.
Com a normalização e repetição dessas atitudes forma-se certa alienação e os valores machistas são inseridos vagarosamente na mentalidade de todos, o que no futuro, trás pra mulheres problemas como baixa auto estima, depressão, entre outros transtornos gerados por pressões sociais e cobranças internas (o casamento perfeito). Além disto, outra consequência é o preconceito com outras formas de união (casamentos gays), ou até mesmo com mulheres solteiras, que ainda sofrem descriminações pelo fato de não quererem se casar.
A
vida da mulher não se define em casamento. A vida da mulher deve ser
baseada e um ideal, o de liberdade. O poder de escolha sobre seu
futuro, sua vida, suas metas. Querer casar, ter vários filhos ou não
querer casar, deve ser uma escolha sua (mulher).
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