A peneira para a empatia

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Empatia é definida resumidamente por ser a faculdade de compreender emocionalmente um objeto. Muito se relatou na literatura e nas artes acerca da empatia, muitas crenças construíram suas bases sob este conceito translúcido em teoria, porém opaco quando posto em prática. Estando em alta abordagem nos dias de hoje, a empatia virou um termo de frequente uso em falas hipócritas, nas quais pessoas pregam “se por no lugar do próximo”, contudo selecionam o “público alvo”. 
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Isto é apenas o exemplo de uma das habilidades do ser humano, que é a de se inserir em um meio social e ignorar realidades alheias, como forma de viver uma maior “paz de espírito”, pois ao ignorar, não se carrega a culpa por aceitar e trabalhar indiretamente em prol da desigualdade e por ser passivo em relação à situação caótica.

Haja vista o palco de nossas vidas, o contexto em que vivemos pode ser usado como uma ótima desculpa pra toda essa indiferença. A vida é corrida demais, e a liquidez do mundo nos deixa atordoados, ansiosos e estressados demais para andarmos na rua e termos tempo de olhar nos olhos das pessoas que nos cercam, certo? “Mal temos tempo para olhar aqueles que conosco vivem!” 

O detalhe é que nos preocupamos e nos importamos com eles, daí a observação. Contudo, as circunstâncias do dia a dia e o modo de vida que lidamos nos faz viver num eterno ciclo fechado, no qual existe apenas a linha do “self”, em que pessoas passam sua vida hiper focadas no sucesso em todas as facetas da vida –pessoal  e profissional– por mais superficial que seja.

 O fato de só enxergamos o agora e suas oportunidades, ou quando não, o futuro de sucesso e os métodos para esta concepção, acabam transformando a sociedade atual em seres progressivamente cegos e egoístas. As pessoas não se olham mais simplesmente porquê não se importam mais. 

Ninguém se importa com um ser por vez externo, pois ele é externo demais à linha de sucesso do "eu". Quem não enxerga um morador de rua após sair da igreja em plena praça da bandeira, simplesmente comprova duas coisas: que a humanidade se aproveita das crenças não pelo desejo de evolução moral , mas pela súbito medo do desconhecido e pela vaidade de se obter uma fácil e calma “ascensão espiritual”, e sair do status de mediocridade ao menos em uma esfera ideal, a espiritual, como Nietzsche propôs em “Assim falava Zaratustra”, ou Scheler  mencionou ao teorizar os valores; e que a população média já está endurecida demais e desesperançosa em relação á qualquer mudança –Prova de que todos estão realmente vivendo na "ilha do eu”.

 Zygmunt Bauman também disserta em vários de seus livros, com destaque nas obras "A ética é possível em um mundo de consumidores?", "Modernidade líquida" e "Amor líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos", nos quais atenta sobre o isolamento social e distanciamento do homem em sua realidade e da realidade dos próximos. 

Navegando sobre esse contexto e embalados pelo medo e incertezas futuras, estamos fadados ao isolamento, vaidade, egoísmo, narcisismo, e a tudo que nos ponha no centro e ignore os arredores. Além de tomar consciência desse fato que infelizmente é quase palpável, o mundo está carente de atitudes que vão contra essa maré. Então, pense  melhor sobre como ser ativo e útil em prol de algo que não seja "seu próprio umbigo", e em como podemos mudar aos poucos nossa sociedade e seus meios de modo que não nos habituemos ao caos, pobreza e miséria no cenário mundial, não normatizemos a violência,não nos ceguemos diante alguns escolhidos, e como consequência, não passemos na peneira aqueles que irão ser "dignos de nossa empatia". 

Texto por Isadora Fortes. 

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Sobre a escritora

Isadora Fortes, de 1999. Escrevo de tudo um pouco, gosto de compartilhar minha visão de mundo e debater sobre o descoberto. Interesses por misticismos, feminismo, gastronomia vegetariana, boas experiências. Eu me arrependo, sou sucessível à mudança de ideia e opinião, gosto de um bom debate. Prezo pelo respeito e paz. Duvidar, criticar e decidir; carpe diem, penso logo existo; vou mostrando como sou e vou sendo como posso; conhece a ti mesmo; etc. e-mail: isadora.fortes@hotmail.com

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Dica poética

  • Claro enigma (Livro de Carlos Drummond)