A peneira para a empatia
11:49:00
Empatia é definida resumidamente por ser a
faculdade de compreender emocionalmente um objeto. Muito se relatou na
literatura e nas artes acerca da empatia, muitas crenças construíram suas
bases sob este conceito translúcido em teoria, porém opaco
quando posto em prática. Estando em alta abordagem nos dias de hoje, a
empatia virou um termo de frequente uso em falas hipócritas, nas quais
pessoas pregam “se por no lugar do próximo”, contudo selecionam o
“público alvo”.
Isto é apenas o exemplo de uma das habilidades do
ser humano, que é a de se inserir em um meio social e ignorar realidades
alheias, como forma de viver uma maior “paz de espírito”, pois ao ignorar,
não se carrega a culpa por aceitar e trabalhar
indiretamente em prol da desigualdade e por ser passivo em
relação à situação caótica.
O detalhe é que nos preocupamos e nos importamos
com eles, daí a observação. Contudo, as circunstâncias do dia a dia e o
modo de vida que lidamos nos faz viver num eterno ciclo fechado, no qual
existe apenas a linha do “self”, em que pessoas
passam sua vida hiper focadas no sucesso em todas as facetas da vida
–pessoal
e profissional– por mais superficial que seja.
O fato de só enxergamos o
agora e suas oportunidades, ou quando não, o futuro de sucesso e os
métodos para esta concepção, acabam transformando a sociedade atual em
seres progressivamente cegos e egoístas. As pessoas
não se olham mais simplesmente porquê não se importam mais.
Ninguém se importa com um ser por vez externo, pois
ele é externo demais à linha de sucesso do "eu". Quem não enxerga um
morador de rua após sair da igreja em plena praça da bandeira,
simplesmente comprova duas coisas: que a humanidade
se aproveita das crenças não pelo desejo de evolução moral , mas pela
súbito medo do desconhecido e pela vaidade de se obter uma fácil e calma
“ascensão espiritual”, e sair do status de mediocridade ao menos em uma
esfera ideal, a espiritual, como Nietzsche
propôs em “Assim falava Zaratustra”, ou Scheler mencionou
ao teorizar os valores; e que a população média já está endurecida
demais e desesperançosa em relação á qualquer mudança –Prova de que
todos estão realmente vivendo na "ilha do eu”.
Zygmunt Bauman também disserta em vários de seus livros, com destaque nas obras "A ética é possível em um mundo de consumidores?", "Modernidade líquida" e "Amor líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos", nos quais atenta sobre o isolamento social e distanciamento do homem em sua realidade e da realidade dos próximos.
Navegando sobre esse contexto e embalados pelo medo e incertezas futuras, estamos fadados ao isolamento, vaidade, egoísmo, narcisismo, e a tudo que nos ponha no centro e ignore os arredores. Além de tomar consciência desse fato que infelizmente é quase palpável, o mundo está carente de atitudes que vão contra essa maré. Então, pense melhor sobre como ser ativo e útil em prol de algo que não seja "seu próprio umbigo", e em como podemos mudar aos poucos nossa sociedade e seus meios de modo que não nos habituemos ao caos, pobreza e miséria no cenário mundial, não normatizemos a violência,não nos ceguemos diante alguns escolhidos, e como consequência, não passemos na peneira aqueles que irão ser "dignos de nossa empatia".
Texto por Isadora Fortes.

0 comentários
exponha seu pensamento aqui